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*** Note que em poesia, o 'sujeito poético ou lírico' não tem que ser o 'sujeito autoral', mesmo que o texto expresse a 1ª pessoa do singular.***

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domingo, 25 de novembro de 2018

A DURA PARTIDA...






  Há lugares que exercem tal magia
Que nos maravilham; é atraente
O recanto do lago no poente.
Seu reluzente espelho refletia
*
as árvores e o sol no fim do dia.
Luisinha feliz e tão inocente
Separar-se da avó jamais pressente
A mimo acostumada, em companhia
*
Suave da vovó que desolada
E tristonha, penosa, mas contida
Lamenta a ida da neta muito amada.
*
Consigo a dor reserva, algo afligida.
Consola a decisão assaz acertada
Fere por de mais, dói a dura partida.
 ******
MajoDutra

 🤍 Dedicado à Verena 🤍  

Com um grande abraço solidário.

sábado, 24 de novembro de 2018

... UM DESTINO PECULIAR ...







 Chamamos-lhe Lulu,
de seu nome próprio Lourdes.
A minha Amiga
tem um destino assaz peculiar.
Ela ama intensamente o seu marido,
de um amor infinito,
assim como tem sido imensa
a sua capacidade de perdoar-lhe.

💛

Ele lindo, charmoso e brilhante
derrete facilmente corações
aventureiros,
desculpa-se e mente.
Porém, volta sempre para casa
ainda que fora de horas.
Regressa como a um porto seguro
e suplica que ela não o deixe.

💛

Lulu chora e reclama, ele cobre-a
de carinhos,
diz-lhe que só ela é importante.
A minha Amiga sente que ele a ama
e que dela precisa,
que é refúgio, estrela que o orienta e o guia,
sente vivo o lado maternal do amor.
Aprendeu tristemente
que seu marido não nasceu
para ser fiel a uma só mulher.

💛

Foi com muita paciência
que Lulu me contou a sua história
de abnegação.
Ainda hoje, chocada,
 me custa a acreditar e aceitar.
Só, mesmo, Lulu
com o seu coração de ouro.

⭐⭐⭐⭐⭐

MajoDutra

sábado, 17 de novembro de 2018

A RECONCILIAÇÃO ...

 



Foi enorme a surpresa.
Não esperava encontrar-te,
de todo.
Nem tu a mim!

*

A tua amiga soube bem como
movimentar influências
para nos convidarem para esta festa,
sem que tivéssemos a mínima suspeita
 do seu estratagema.
Fez a fada madrinha muito bem.

*

Depois de várias semanas zangados,
em que fui obstinado,
num orgulho pueril,  reconheço;
fiquei frente a frente contigo!
Ó Deus! 
Que linda estavas!

 *

Cruzámos os olhares,
sentimos a fragrância mútua,
o que trememos!
 Como gaguejámos o olá!
Reconciliámo-nos
em silêncio,
e profunda comoção.

*

Quando te beijei a mão,
Lágrimas rolaram nos rostos.
Soubemos, então, que
nos pertencíamos
e vivíamos um amor
 profundo e eterno.
*****
MajoDutra
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

~~ VENDAVAL ~~







Adoro o doce mar, sua pureza,
A margem areada que se preza
Quando sereno acalma -- um embalar
que tem todo o poder de relaxar

 *

Apaziguando meras nostalgias.
Infinitos azuis, sublimes dias,
Maresia aromática e tocante.
Porém, se vento forte o leva avante,

*

Duro, desesperado, ele protesta,
Os amigos afasta, acaba a festa,
Ruge e tudo revolve embravecido.

*

Temível temporal, atroz bramido!
Garças famintas velam sua vez,
Nós olhamos chocados tal rudez!

*****

MajoDutra

sábado, 10 de novembro de 2018

~~ A VIAGEM A NOVA YORK ~~




.*.*.*.*.*.*.




Esta foto recorda
uma viagem a Nova York
na feliz comemoração
do meu primeiro ano de casada.
Ó delícias iniciáticas!
Atravessámos a velha ponte
como se fosse nossa
e nós, os príncipes de Manhattan.
**
Foi a partir do regresso
que o nosso doce rio da felicidade
 começou a dar sinais de turbulência
e não conseguimos erguer pontes duráveis.
Éramos acentuadamente diferentes, 
em personalidade e cultura,
alertaram-nos do risco
numa fase em que flutuávamos
numa nuvem incandescente de paixão.
**
Não deu certo.
Não pode dar sempre certo.
Refiz a minha vida, os anos rolaram,
sucederam-se estações e  novas venturas,
porém, aquela foto da icónica ponte de Brooklyn,
a doce recordação do rio East ladeado pela
«cidade que nunca dorme»
é memória de momentos sublimes,
de dias esplendorosos,
que pertencem à minha história.
*******
Majo Dutra

terça-feira, 6 de novembro de 2018

... HORA DAS AVÉ MARIAS ...







 * * * * * * * *

Quando eu era menina,
terminadas as horas vespertinas,
soavam no meu bairro
os sinos cansados
em lentas Avé-Marias.
Sentia-se alguma urgência
tudo invadir,
era a hora de recolher
ao terno lar.
*
Os pássaros regressavam
aos ninhos
da árvore, na bela colina verde
onde brincávamos.
Um alvoroço
de chilreios e trinados,
no adeus ao dia que findava
em vagarosos momentos
de nostalgia.
*
Para mim, era a hora
em que terminava a diversão
com os meus amigos.
Seguia-se a cálida reunião familiar.
Passou-se muito tempo,
muito!
Porém, jamais esqueci
o desconforto
de ter que dar por terminado
o que mais gostava fazer:
brincar,
simplesmente.
*
Era hora das Avé-Marias,
plangiam os sinos,
vovó persignava-se...
*******
Majo Dutra



sábado, 3 de novembro de 2018

... A PRINCESA ...






* * *
Milagrosamente,
chegou à minha complicada vida
quando eu estava demasiado magoada,
alma e personalidade destroçadas,
vítimas desprotegidas
 de abominável violência doméstica
provocada por dependência de álcool,
um pesadelo dos mais aflitivos!

*

Sobraram-me poucos amigos,
não entendiam por que fui protelando
o inevitável desfecho.
Porém, foi entre eles que o conheci.
Para sempre terei de agradecer
o delicado cuidado do seu trato,
a atenção, humanidade, doçura...

*

A maioria dos amigos voltou,
contudo, estranham
o nosso casamento de amor,
por ele ser mais velho dois decénios,
acham que eu me precipitei...
Sorrio-lhes radiosamente e sinto
a minha felicidade acrescida.

*

Eles não sabem que sou tratada
como sua princesa,
que agradeço a Deus tanto carinho,
 que voltei a ter a harmonia e
 equilíbrio da minha juventude,
que tenho o amor absoluto
com que sempre sonhei.

* * * * * *

MajoDutra